Couve-flor agridoce com molho de iogurte

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Para os amantes das asinhas de frango, aqui fica uma opção vegetariana, feita no forno e bem deliciosa! São perfeitas para as “segundas sem carne” ou como entrada para um jantar descontraído.

Comecei a contar-vos no post anterior as minhas aventuras pela Namíbia, em especial as peripécias do nosso último safari. Se vos dissesse que houve apenas um ponto alto estaria a mentir porque toda a envolvência de um safari é por si só um êxtase e o episódio com o elefante deixou-nos a adrenalina em altas. Mas penso que o ex libris de qualquer safari são os grandes predadores, os leões. E nós estávamos a transbordar de entusiasmo com a esperança de os podermos ver.

O nosso guia, Filemon, tinha recebido uma dica de um ranger do parque Etosha que se tinha cruzado connosco uns 30 min antes. Os leões tinham atacado uma girafa na madrugada desse dia e tinham sido avistados a uns kms de onde nos encontrávamos. Pelo caminho fomos vendo abutres, tartarugas-leopardo e pássaros de diversas que se iam cruzando com o jeep. Ao fundo da estrada estavam alguns animais pequenos que não conseguimos distinguir e Filemon foi desacelerando. Mas na verdade ele abrandou por outro motivo… “Vejam ali à frente, foi ali que mataram a girafa, estão a ver as marcas no chão?”. Levantá-mo-nos para olhar e percebemos que estávamos perto. Filemon avançou com o jeep bem devagar e depois parou. À nossa esquerda aparecia então o corpo enorme e inerte da girafa que se via entre a erva. “Vejam, as leoas estão ali, entre a erva vêem?”. Por esta altura aqui em África as chuvas já são constantes, apesar de estar calor, como tal a erva cresce rapidamente até à nossa cintura (o que dificulta a visualização dos animais).

Por entre o verde começámos a ver a silhueta de uma leoa deitada, guardando a refeição. Quando nos avistou sentou-se e aí o que nos parecia uma miragem tornou-se real. “Esta é jovem, vamos esperar aqui porque o resto das leoas devem estar perto” disse o guia. Pela primeira vez na vida senti o que devem sentir os fotógrafos do national geographic. Termos que ficar imóveis, ao sol, vento, chuva, sem mover sequer o olhar (e eles fazem isto durante horas e dias!). Meia hora depois a erva mexe e emergem mais 2 leoas. Estiveram lá o tempo todo e nem nos apercebemos, mas elas viram-nos e cheiraram-nos a kms de distância. (É aterradora esta sensação de estar a ser observado por um animal há horas sem dar conta). Estavam calmas, lentas, com as barrigas cheias de comida. Pouco depois um casal de coiotes junta-se a nós, eram eles que tínhamos visto ao longe.  Refugiaram-se atrás do jeep e mantiveram uma distância de segurança das leoas, na esperança de resgatar alguns restos. Pela mesma altura os abutres começavam a sobrevoar a zona em voos circulares, lá bem alto. A vida animal espelhada ali em primeira-mão, ao vivo e a cores. Até o guia tirava fotos.

No caminho de regresso passámos pelo lago e vimos uma manada enorme de girafas que
galopava ao longo da água. O céu estava agora azul e o sol de fim de tarde escondia-se por detrás de nuvens que pareciam pintadas à mão. Uma luz quente e amarela aparecia por detrás das nuvens e iluminava o lago. Nunca vi nada assim, que cenário!

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Continuámos em direção a casa porque o parque estava prestes a fechar e ainda tínhamos que passar pelos seguranças que nos revistam os sacos (medidas contra o tráfico animal que tanto lhes tem desbastado o parque nos últimos anos). Perto da saída ainda vimos uma hiena juvenil por entre uns arbustos. Chegámos ao hotel com a sensação de missão cumprida e com uma satisfação digna de termos presenciado alguns dos momentos mais puros da vida animal.

Se tiverem oportunidade visitem o parque Etosha, tenho certeza que vão viver momentos inspiradores. A mim inspiram-me a cozinhar e a agradecer e respeitar todos os dias a natureza. Quanto à receita, tinha que ser agridoce, tal como a natureza é.


Ingredientes: (2 pessoas)

1/2 malagueta vermelha picada (sem sementes)

3 cabeças pequenas de couve-flor

6 colheres de sopa de massa de tomate

1 colher de sopa de massa de pimentão

1 colher de chá de alho assado (podem usar massa de alho se preferirem mas escolham uma sem sal)

1 colher de café de paprika fumada

2 colheres de sopa de mel (podem usar agáve, xarope de arroz ou outro que prefiram)

1/2 colher de café de gengibre em pó

1/2 colher de café de cominhos

1 colher de café de canela

flor de sal e pimenta preta em moinho a gosto

1 fio de azeite virgem extra

Para o molho: um iogurte magro natural (pode usar grego, de soja, ou outro que prefira) + sumo de 1/2 lima + 1 colher de café de mostarda dijon + 1 colher de chá de alecrim fresco picado + 1 fio de azeite virgem extra e flor de sal e pimenta preta a gosto

Para decorar (opcional): sementes de papoila e alecrim fresco.

Preparação:

Pré-aqueça o forno a 200º e forre um tabuleiro com papel vegetal.

Retire as folhas da couve-flor e desfaça-a em pequenos floretes. Reserve numa taça. Num almofariz ou taça, junte todos os ingredientes do molho agridoce e pise-os muito bem até conseguir uma mistura homogénea. Prove e ajuste o tempero se necessário.

Junte o molho aos floretes e envolva-os bem. Coloque-os no tabuleiro com cerca de 1 dedo de espaço entre eles e leve ao forno 25 a 30 min., virando os pedaços com uma pinça a meio do tempo.

Entretanto prepare o molho de iogurte juntando todos os ingredientes numa taça e mexendo bem. Prove e ajuste o tempero.

Retire a couve-flor do forno assim que estiver tostada e macia, passe para uma travessa ou prato. Junte a taça do molho de iogurte e enfeite com um ramo de alecrim e as sementes de papoila. Sirva.

Nota: utilize ingredientes de origem biológica. Utilizei massa de tomate e de pimentão de pacote, mas biológicas e sem corantes ou conservantes.

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