Regressar

Este é o primeiro post que alguma vez escrevi sem uma receita associada, mas é apenas porque não encontro nenhuma que transmita o que tenho para vos contar.

Estou a fazer as malas para regressar a Portugal. Depois de 2 anos em Angola chegou o momento de voltar. É um misto de alegria e tristeza ao mesmo tempo e por muito que tente não o consigo transformar num sabor. Pelo menos por agora… Estou feliz por regressar a casa, para perto da família e amigos mais próximos, mas triste ao mesmo tempo por deixar tantos outros que fiz por aqui e uma terra que já era minha sem eu saber.

África sempre fez parte da história da minha família, mas só me apercebi da profundidade dessa influência neste tempo. Desde as simples expressões que a minha avó utilizava, até aos cenários maravilhosos que me foram descritos em pormenor vezes sem conta, passando pelas histórias caricatas que tantas vezes me fizeram rir. Tudo isso se encaixou como um puzzle nestes anos. Percebi o verdadeiro significado de TIA (this is Africa), percebi a razão por detrás das personalidades, hábitos, medos, conquistas, comportamentos e essência da minha família. Com isso percebi também porque sou como sou e por isso encontrei-me. África passou a fazer parte da minha história também, como habitante e não só como turista.

Vou sentir falta do céu vermelho ao fim do dia, das frutas exóticas, das praias, das paisagens e do ritmo de vida de África. Das festas de quintal, da música, das danças, da alegria inata e das pequenas rotinas que adquiri por aqui. De outras coisas não sentirei tanta falta, mas essas prefiro guardar na memória e relembrar de tempos a tempos para dar mais valor ao que tenho. Isso permanecerá sempre comigo. Passei a dar valor às coisas mais banais porque nem sempre foram banais e para muita gente ainda não o são. Abrir a torneira e sair água, ligar o interruptor e ter luz, ir ao supermercado e encontrar as prateleiras cheias, entre tantas outras. Quem consegue idealizar no dia de hoje uma realidade distinta desta? Poucos, embora muitos a vivam.

Ainda não sei o que o futuro me reserva em Portugal, mas volto com o conforto de não ter que me preocupar com isso para já. Decidi dedicar-me ao que mais gosto de fazer (ao meu blog e à culinária) e ver onde isso me leva.

Espero que continuem comigo, a acompanhar-me nesta nova etapa. Eu prometo continuar a partilhar convosco todas as minhas viagens, receitas e peripécias. Acredito que terei oportunidade de conhecer-vos em breve, ao vivo e a cores!

Regresso feliz e mais completa. A Angola deixo um eterno “até já”.

Sofia

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13 thoughts on “Regressar

  1. Jorge Magalhães diz:

    Olá filhota. Sabes que gosto de ler. No entanto nunca li uma coisa tão bonita e tão bem escrita sobre aquela que também é a minha terra. Acredita que algumas passagens emocionaram-me. Os meus parabéns. Conseguiste entrar na mística desse ambiente e perceber as gentes dessa terra. É uma rerra à espera de melhores ventos. Dizemos sempre um “até já” terapêutico, ainda que possa vir a ser para sempre. Muitos parabéns. Boa viagem e cá vos espero. Beijinhos

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  2. Gina Santos Sousa diz:

    Desejamos-te tudo do melhor. Os Ecos da Alma dedilharam o teclado e o que escreves e com Muito sentimento. Tudo vai correr bem. Sorri a vida que te espera com bracos abertos.

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