Vichyssoise de curgete e caju

Vichyssoise curgete cajuUma sopa cremosa e versátil, perfeita para consumir quente ou fria. Esta versão não leva natas ou batata. Vegan, sem glúten e bem saborosa.

Quando penso em sopas frias só consigo lembrar-me de gaspacho (que adoro, especialmente esta versão com paprika fumada) ou vichyssoise, o clássico creme de legumes da cozinha francesa, feito com batata, alho francês e natas.

Não me recordo da primeira vez que a provei (acho que foi num casamento, era eu miúda). Lembro-me de gostar do sabor e textura cremosa, mas estranhar o facto de ser fria. Anos mais tarde, já andava eu na faculdade, tive uma situação bem caricata que envolveu esta sopa.

Na festa de anos de uma colega curso, num hotel da moda em cascais, eu e o meu amigo João calhámos na mesa dos “suplentes”. Estávamos os dois solteiros na altura e tudo o resto tinha par. Chegámos tarde e ficámos separados por duas ou três pessoas na mesa. O menu era elaborado e o primeiro prato era uma vichyssoise. O João foi dos últimos a ser servido e ao olhar para o prato, gesticulou na minha direção “isto é leite?”, ri-me baixo e do outro lado da mesa abanei a cabeça, “é sopa”. “Hmmm, ok..”, encolheu os ombros e levou a colher à boca, desconfiado, franzindo de imediato o sobrolho. Insatisfeito, chama o empregado, segreda-lhe e manda a sopa para trás. De seguida olha para mim e comenta em voz alta “pedi para aquecer, a minha já estava fria!”. Senti algumas pessoas a segurarem o riso, outras olharam para ele incrédulos, a mim deu-me um ataque de riso enorme e só consegui gesticular “é mesmo assim!”.

Há pessoas que têm o dom de conseguir fazer rir até as almas mais sisudas e o João é uma delas. A vida levou-nos por caminhos diferentes mas a amizade permanece e quando estamos juntos parece que cenas como esta se passaram ainda ontem.

Esta receita veio na última edição da Lux Angola (foto abaixo). Remodelar um clássico como este é sempre um desafio, mas confesso que são os que mais gozo me dão. A textura tinha que ser cremosa e a cor pálida, mas queria uma sopa mais leve e vegan por isso a batata e as natas foram substituídas por curgete e caju e o resultado é delicioso! Podem servir fria ou quente, para o caso de serem como o meu amigo João.

Bom apetite!


Ingredientes:

500g de curgete em pedaços e sem casca

1 dente de alho picado

1 fio de azeite virgem extra

1 /2 colher de café de noz moscada 

1 /2 colher de café de gengibre em pó

1 /4 colher de café de cominhos

1 /2 chávena de chá de cajus crus (não torrados)*

3 /4 + 1 e 1 /4 chávenas de chá de água

flor de sal e pimenta preta em moinho a gosto 

orégãos frescos (opcional, para decorar) 

Preparação:

Coloque os cajus numa taça e cubra-os com água. Deixe demolhar de um dia para o outro (mínimo 5 horas). Escorra, coloque-os num robot de cozinha ou liquidificador com 3 /4 de chávena de água e triture tudo na potência máxima, até conseguir uma consistência cremosa. Tempere com sal e pimenta a gosto e reserve.

Num tacho em lume médio, aloure o alho num fio de azeite. Junte de seguida a curgete em pedaços e salteie uns minutos (2-3 min.). Adicione os restantes ingredientes e 1 chávena e 1 /4 de água. Deixe cozer até a curgete estar macia (cerca de 10 min.) De seguida triture tudo num robot de cozinha ou com a ajuda da varinha mágica, até ter um creme aveludado. Prove e ajuste os temperos se necessário.

Sirva em pratos e adicione algumas colheres de sopa do creme de caju. Para decorar utilize orégãos frescos ou outras ervas que prefira. Reserve no frigorífico em recipiente hermético até 4 dias.

Nota: utilize de preferência ingredientes biológicos

*O caju tem várias formas de ser consumido: em versão crua e fresca (acabado de colher, de cor alaranjada); em versão seca, após ser seco ao sol ou em estufa (o mais comum, de tom beige) e em versão torrada (após ser torrado no forno, com cor acastanhada). Aqui pretende-se utilizar caju seco e cru, ou seja, não torrado. 

LUXL5878

Foto Lux Angola

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4 thoughts on “Vichyssoise de curgete e caju

    • Blog da Spice diz:

      Yara, talvez facto de eu ter colocado “caju cru” a tenha induzido em erro. Atenção que é caju cru mas seco e não caju fresco (já incluí uma nota na receita para clarificar). O caju demolhado e triturado é o que dá a esta sopa a textura cremosa e aquele travo tão característico e delicioso dos frutos secos. Acredito que a maçã vai alterar muito o sabor porque é adocicada… Se não tem caju experimente colocar leite de coco (use só aquela parte cremosa, não use a água para não ficar aguado). Penso que talvez seja um melhor substituto, mas nunca experimentei assim. Depois diga-me se funcionou 🙂 bjs

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