Bolo húmido de cenoura com recheio de baunilha

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Uma viagem ao Lubango, com paisagens de cortar a respiração inspiraram-me a fazer este bolo húmido, sem glúten e vegan. Leiam tudo aqui e vejam as fotos!

No passado dia 20 de Março foi o meu aniversário e como de costume aproveitei para viajar. Desta vez fui até ao Lubango, na província da Huíla. O Lubango fica numa região de planalto, no sul de Angola. O clima, ao contrário do habitual por aqui, é seco e faz frio no inverno. Esta não foi a minha primeira visita ao Lubango, na verdade foi a segunda. Mas nem por isso esta terra deixou de me maravilhar (tanto ou mais do que a primeira vez até).

A cidade do Lubango está infelizmente muito degradada, mas nota-se ainda alguma arquitectura do tempo colonial em edifícios do estado, lojas, vivendas e prédios que resistem desde esse tempo e no inconfundível cine-teatro arco-íris.IMG_5168[1] Porém verdadeiras maravilhas do Lubango são naturais e tiveram pouca ou nenhuma intervenção do homem. A primeira delas é a Tundavala. A fenda da Tundavala tem 1200 m e situa-se na Serra da Leba. A subida até lá faz-se ao longo de 18km (partindo do Lubango) e a paisagem é de vegetação rasteira, rochas e vales acentuados onde nesta altura se vêm represas cheias de água. Mesmo antes de chegar à Tundavala passamos por um labirinto de rochas encavalitas umas nas outras, através do qual temos que zigue-zaguear.

Quando chegamos à fenda o primeiro instinto é olha para baixo e é tão alto que os nossos olhos levam alguns segundos a tentar transmitir a distância ao nosso cérebro. Por vezes só atirando uma pequena pedra é que conseguimos ter noção real da distância. É um abismo, mas é um abismo vivo. Ouvem-se pássaros, vento, pingas de água e ecos. Por entre o V que esse abismo forma vê-se outra paisagem, tal e qual um conto de fadas. E sentimos que estamos mesmo no topo do mundo. Há montes verdes, estradas, pequenas aldeias e terra e céu a perder de vista. Mesmo lá no fundo os tons castanhos apoderam-se e percebemos que ali começa o deserto do Namíbe (também mereceu uma visita, mas conto-vos num dos próximos posts).

Por esta altura do ano chove com alguma frequência e os rios e cascatas desta zona estão cheios. A cascata da Huíla é a mais conhecida e metemo-nos ao caminho para a visitar. A viagem é tortuosa porque a estrada desabou e por isso parte faz-se em terra batida. Não há indicações e temos que ir pedindo ajuda a quem passa (esqueçam gps’s nesta terra porque só atrapalham). Mas vale sem dúvida a pena.  Por entre a vegetação vemos uma parede de pedras e lá de cima a água jorrava. Em baixo um monte de miudagem banhava-se nas águas geladas, depois das aulas. Dei comigo a pensar “são felizes e não sabem”.

De regresso ao Lubango ainda houve tempo para mais uma paragem: o mercado (óbvio!). Esta zona é conhecida pela agro-pecuária e há fruta, vegetais, queijos e mel com fartura, tudo (ou quase tudo) biológico. Mas não é biológico por consciência ambiental, alimentar, animal, etc. É biológico porque essa é a forma tradicional de se produzir e deturpação evolucional ainda não chegou aqui. Comprei alhos, banana-maçã, beringelas vermelhas (nunca tinha visto!), pepinos selvagens, mirangolos, flores, mel e cenouras. E foi com algumas destas coisas que fiz este bolo. Espero que gostem tanto quanto eu.


Ingredientes: (4 pessoas)

1 chávena de chá de cenoura ralada

1/2 chávena de chá de farinha de trigo sarraceno

1/2 chávena de chá de farinha de aveia

1 colher de sopa de farinha de coco

1 colher de sopa de stevia granulada

2 colheres de sopa de açúcar e coco (mais se preferirem mais doce)

4 bananas-maçã maduras (ou 2 bananas normais maduras)

1 colher de café de fermento

1 colher de café de bicarbonato de sódio

1/2 colher de café de baunilha em pó

2 colheres de sobremesa de farinha de linhaça

6 colheres de sobremesa de água

1/2 chávena de chá de óleo (usei óleo de sementes de uva, mas podem usar outro)

sumo de 1/2 lima

Para a cobertura de baunilha vejam aqui a receita (opcional)

Preparação:

Pré-aqueça o forno a 180º e forre uma forma de bolo rasa* com papel vegetal.

Numa taça coloque a farinha de linhaça e a água, mexa e reserve durante 5 min até conseguir uma textura gelatinosa.

Entretanto junte numa taça as farinhas, fermento e bicarbonato de sódio e misture tudo com um fouet ou garfo, de forma a desfazer qualquer grumo.

Num robot de cozinha junte os restante ingredientes do bolo e triture tudo durante 2 ou 3 minutos. De seguida junte as farinhas e volte a triturar mais 2 a 3 min ou até a mistura estar bem envolvida. Se necessário use a espátula para rapar os ingredientes que ficam alojados na parede do recipiente e volte a triturar. Deite a mistura na forma e abane-a ligeiramente de um lado para o outro para se certificar que a mistura se dispõe uniformemente. Leve ao forno cerca de 30 min. ou até o palito sair limpo. Retire e deixe esfriar completamente.

Entretanto siga os passos para o recheio de baunilha no link acima. Quando o bolo estiver frio, desenforme e corte em quadrados iguais. Coloque uma fatia num prato, junte o recheio e adicione mais uma fatia por cima. Decore com mais recheio e flores. Sirva.

Nota: utilize ingredientes de origem biológica. 

*Este bolo tem a aparência e textura húmida de um brownie pelo que não se assuste por ele não crescer. Por essa razão aconselho a utilização de uma forma rasa. Se quiser pode optar por fazer 2 receitas em 2 formas e criar um bolo completo de 2 andares.

 

 

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